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O problema da ANA
Ana cursa o primeiro ano do segundo grau e desde que começou o ano escolar perdeu muito peso. É uma jovem disciplinada e se levanta sempre mais cedo para ir malhar na academia com seu pai antes de ir à escola. É uma aluna que se destaca por suas boas notas e sempre demonstra ser responsável e obediente. Sua mãe cuida completamente da sua alimentação e se preocupa em controlar a ingestão de gordura e doces da filha. Seu pai é exigente com a apresentação e desempenho da família.
Há alguns dias a escola entrou em contato com a família em função de um problema durante a aula de educação física. Aparentemente, Ana sofreu uma queda de pressão e desmaiou. Durante a chamada telefônica a professora também relatou haver observado um declínio em seu rendimento escolar e um afastamento de suas amigas.
Na hora do lanche, Ana muitas vezes não come nada, alegando sentir-se mal ou ter comido muito no dia anterior e opta apenas por um refrigerante dietético. Em casa, durante o almoço, Ana corta sua comida em pedaços muito pequenos, passeando-os pelo prato durante muito tempo e finalmente comendo apenas uma pequena porção. Muitas vezes, diz não ter fome ou se queixa de que as porções da casa são muito grandes. Sua mãe tem encontrado restos de comida nos bolsos de suas roupas e em vários lugares de seu quarto. Ela parece inquieta e começou a apresentar um tique nervoso, balança as pernas sem parar.
Nas férias passadas, Ana esteve durante todo o verão na casa de uma tia que adorava guloseimas e comida rápida. Quando voltou para casa, em função da má alimentação, havia ganhado 6 quilos. Ao voltar para casa e à escola, muitos colegas de turma fizeram comentários negativos sobre sua nova aparência. Ana chorou muito e ficou com raiva da turma que zombava dela, mas isso não resolveu seu problema, assim que decidiu parar com esse sofrimento de uma vez por todas.
Sua mãe a apoiou quando decidiu iniciar uma dieta e até recomendou uma das muitas que ela costumava fazer no passado e, em dois meses, seu peso diminuiu consideravelmente. Foi quando suas amigas começaram a comentar como ela estava bonita e bem magrinha, inclusive um dos garotos da escola se interessou por ela e assim Ana se sentiu recompensada pelo seu sacrifício em fazer regime. Depois disso, Ana começou a desejar ficar ainda mais linda e magra e as preocupações em torno de recuperar aquela gordura e decepcionar a todos surgiu.
Ana já não menstrua mais e ultimamente demonstra um alto grau de irritabilidade. Ela também evita sair de casa e tem um medo horrível em ganhar peso. A jovem conta de forma obsessiva as calorias que consome, mesmo estando muito magra, e se sente e se percebe gorda. Seu cabelo que era brilhoso e cheio, ultimamente, tem caido muito e ela está sempre cansada.
Ana tem um objetivo só objetivo: perder peso, mesmo que isso lhe custe a saúde. Sente que pelo menos conseguiu alguma coisa na vida: ser magra. Se deixa de sê-lo... o que lhe restará?
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