Profesores e orientadores
Prevenção primária para instituições de ensino
Devido à prevalência dos transtornos alimentares durante a adolescência e inicio da vida adulta, os sinais de tais doenças se tornam evidentes em escolas e famílias antes de serem observadas em consultórios médicos e centros de saúde. Desta maneira é importante que educadores compreendam que estes distúrbios muitas vezes se iniciam em questões que ultrapassam a alimentação e relação com a comida e dizem respeito a como o jovem confronta e responde as expectativas da vida cotidiana, situações de estresse e suas próprias ansiedades e temores.
Deste modo os sinais de alerta podem situar-se na maneira como o jovem maneja os sentimentos acima descritos, além de sua capacidade e estilo de encarar e administrar sua vida. O pronto reconhecimento e confronto dos distúrbios alimentares em jovens pode ser a chave para um tratamento bem sucedido.
- É interessante que a escola estimule a imaginação e criatividade dos jovens, além de seu senso crítico para os padrões de beleza e magreza atuais. Promova debates e discussões na sala de aula que problematizem os modelos de beleza
encontrados na mídia e no mundo da moda. Utilize produções de revistas e TV para ilustrar o debate.
- Inclua no currículo escolar literatura direcionada a temas relacionados à construção da imagem corporal e o enfrentamento dos distúrbios alimentares na adolescência. Recomendamos o livro infanto-juvenil de Laura Bergallo, “Alice no Espelho”, que conta a história de uma jovem que sofre de anorexia nervosa.
- Cultive uma cultura escolar de segurança, aceitação e respeito. Promova debates e conferências sobre a importância da tolerância com as diferenças. Estabeleça regras claras sobre proibição de condutas discriminatórias ou de assédio no âmbito escolar. Tais regras devem ser amplamente divulgadas entre alunos e corpo docente.
- Permitam que os próprios alunos criem e coloquem suas questões ligadas a pressões vividas dentro da escola em relação a seus corpos e aparência.
- Recomendamos a criação de campanhas dirigidas para profissionais e jovens com o objetivo de divulgação e sensibilização dos mesmos para problemas relacionados à imagem corporal e transtornos alimentares.
- Torna-se necessário falar abertamente a respeito dos caminhos escolhidos pelos jovens para alcançar seus ideais corporais e seus sentimentos em relação aos seus corpos, para isso é interessante a presença de uma profissional de nutrição na escola.
- Recomendamos o desenvolvimento de programas direcionados à construção de hábitos alimentares saudáveis nas escolas. Tais esforços podem e devem ter como alvo não apenas os alunos(as), mas também seus pais, professores e donos de cantinas. Este trabalho pode ser desenvolvido por uma nutricionista ligada à escola e deve ser incluído no currículo regular da instituição escolar.
- No caso de escolas que oferecem alimentação a seus alunos, deve-se buscar uma variedade de sabores e consistências de alimentos, educando o paladar dos alunos(as) para adaptar-se a uma dieta equilibrada e variada.
- Nas aulas de educação física deve-se buscar romper com a associação determinante entre exercício físico e eliminação de peso, os esportes e atividades físicas devem estar ligados também ao prazer, à competitividade, ao trabalho em equipe e à inserção social. Utilize as aulas de educação física para observar comportamentos de risco e alertar para as conseqüências adversas de tais práticas, além dos benefícios das práticas moderadas e equilibradas.
- Trabalhar as habilidades sociais dos jovens como parte do currículo escolar no sentido de facilitar a construção positiva de sua autoconfiança e auto-estima. Procurar inserir atividades que exercitem suas estratégias de assertividade, resolução de problemas, autonomia e busca de vinculação social. Atividades como os Modelos das Nações Unidas, a criação de clubes de discussão literária e os clubes de debate são importantes instrumentos a serem contemplados para o currículo escolar.
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