RECOMENDAÇÕES PARA PROFISSIONAIS DE PUBLICIDADE E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO
RECOMENDAÇÕES
- Não coloque ênfase em fotos impactantes de pessoas em níveis avançados da doença ou relatos fantasiosos de portadores que deflagram interferências de comportamentos oriundos de outras patologias.
- É essencial que os transtornos alimentares sejam discutidos através de uma perspectiva científica e não de uma discussão moral que tende a culpabilizar e estigmatizar os portadores destas patologias e seus familiares. Além de relatos de experiência procure profissionais ligados ao tratamento e à pesquisa relacionada ao tema.
- A manifestação dos transtornos alimentares se dá em virtude de um conjunto de fatores: subjetivos, sociais e genéticos. Procure não simplificar e apontar um único vilão para a problemática.
- Cuidado com as características e estatísticas internacionais, lembre-se que todas as doenças e seus significados possuem uma interface sócio-cultural. A anorexia e a bulimia não são determinadas pelo desenvolvimento econômico e status social da população. Já existem estudos brasileiros com dados sobre a prevalência destas doenças no Brasil em classes populares.
- Esteja alerta em relação à apresentação das doenças como uma problemática sem solução, a gravidade do processo de adoecimento e complexidade do tratamento não significam a impossibilidade de recuperação e administração saudável da vida.
- Cuidado com a maneira de descrever os comportamentos e estratégias de emagrecimento, artifícios para obter drogas e manobras para driblar famílias, profissionais e educadores. A matéria pode acabar se transformar numa receita para outras pessoas em vulnerabilidade ou buscando novas práticas para manterem-se doentes.
- Cuidado para não vincular a anorexia e seus comportamentos de restrição e disciplina extrema às qualidades de determinação, autocontrole e perseverança. No caso bulimia, tenha cuidado para não atrelar a doença sempre a atributos negativos de descontrole.
- Mantenha-se atento para não exaltar a anorexia transformando pessoas que possuem a doença em referências do padrão de medidas e aparência desejada pela sociedade atual. Cuidado com alusões à moda anoréxica.
- Sempre inclua informações sobre onde procurar ajuda e dados sobre a doença, tratamento e redes de apoio.
Cuidado com estas armadilhas!
- Os transtornos alimentares não são caprichos de meninas mimadas, rebeldes ou vazias, são doenças sérias que devem ser tratadas através do acompanhamento médico especializado.
- A anorexia e a bulimia não são estilos de vida. Ninguém opta por ficar doente, socialmente excluído e deprimido.
- Os transtornos alimentares podem afetar a qualquer pessoa independente de cor, raça, nível socioeconômico e nacionalidade.
- A anorexia não é uma doença exclusivamente de modelos, bailarinas e atletas. Estes grupos podem ser considerados grupos de risco, mas não são necessariamente os únicos onde se observa a doença.
- Os transtornos alimentares não são problemas exclusivamente femininos. O número de garotos anoréxicos ou bulímicos cresceu cinco vezes de 2002 para 2003.
- Em homens, a anorexia não está associada a homossexualismo. Isso é uma forma de preconceito!
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